quarta-feira, 22 de abril de 2015

Por uma Democracia Plena



Mais uma vez devemos reiterar nosso apoio total e irrestrito ao regime democrático. Não fosse pela Democracia Representativa, que tanto ansiamos e lutamos anos atrás, estes jovens nem estariam nas ruas, hoje lutando livremente, demonstrando seus anseios.   
Devemos lembrar que as reivindicações das últimas manifestações do grupo denominado de Passe Livre não é contra  a nossa  forma de governo, nem pelo impeachment de quem quer que seja, mas tem sim, como foco, uma reforma política autêntica, uma melhor administração pública e o fim da corrupção e descaso com a população brasileira. 
O movimento é dos estudantes, apartidário e representa, sim,  a insatisfação da população brasileira, mas  não podemos perder de vista que em nenhum momento se questionou a legitimidade do regime democrático, como melhor forma de representação da população. Apesar de seus problemas a Democracia ainda se mostra como a melhor forma de governo, como o próprio movimento assim o demonstrou.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Para muito além dos muros




Por Maria Inês Carpi Semeghini

Naquela tarde o pessoal do Diretório Acadêmico do curso de Ciências Sociais veio nos convocar para uma reunião. Queria decidir sobre dar ou não apoio ao novo partido que estava nascendo, formado pelas lideranças que despontavam, a partir do movimento sindical do ABC paulista. Era o ano de 1979 e a política do Brasil estava entrando num processo de reabertura política depois de anos de regime militar, onde não se podia formar partido algum, desde 1964, nem exercer os direitos políticos de votar e ser votado.
Acreditamos que seria bom um espaço onde pudéssemos discutir nossas ideias da social- democracia que defendíamos. (Acho que é assim que eu posso definir nosso pensamento de então). Estudantes ainda, não tínhamos uma clara visão da democracia, de direita ou esquerda, centro-esquerda, ou outra tendência que fosse, pois o debate político fora proibido em qualquer espaço público, por estudantes ou pessoas civis com o risco de serem levadas para investigação, sob a suspeita de subversão à ordem política e social, o que ocorreu muitas vezes, quando muitos deles nunca mais voltaram. Mas diante dos diversos partidos que estavam se formando e diante principalmente dos grupos da chamada velha esquerda, dos quais nós não compartilhávamos as idéias, achamos que o Partido dos Trabalhadores, preocupados com a questão dos direitos trabalhistas e da luta pela liberdade em qualquer instancia civil, naquele instante, seria a melhor opção.
Fomos criticados por todos! Os que defendiam as ideias da direita e o regime militar nos nomearam de comunistas, enquanto que aqueles que se identificavam com as idéias da esquerda afirmavam que estávamos “em cima do muro”, expressão em uso, na época em que ainda existia o muro de Berlim, que dividia as duas Alemanhas; a comunista de um lado e a capitalista, de outro.
Logo em seguida as lideranças sindicais foram chamadas para entrevistas, bate-papos, palestras e decidimos que o Partido teria nosso apoio, juntamente com outros estudantes, intelectuais, artistas e professores, empenhados na causa da restauração da Democracia no país.
Claro que com o tempo esse partido cresceu e as lideranças políticas de esquerda, que voltava do exílio, bem como aquele grupo mais radical das Ciências Sociais, que de início não concordaram com o apoio, decidiram fazer parte do projeto, ainda que na forma de grupelhos, como nós chamávamos, pois que não aderiram de forma ampla o projeto de um partido dito democrático ou nos moldes da chamada social-democracia, dos países europeus.
Depois de um tempo, sabíamos que o projeto inicial se perdera. Todas as tendências se aglutinaram ali, e o partido se transformou numa espécie de frente de oposição. Embora tenha representado um grande papel no processo de redemocratização do país, seja no apoio significativo ao movimento chamado de Diretas Já, em 1986, seja pela  participação da elaboração da nova Constituição de 1988, seu caráter inicial de uma genuína transformação social se perdeu,  e por fim, como nós todos já sabemos, o que venceu foi o oportunismo.
Hoje, depois de tudo, temos que reconhecer a importância que este partido representou como oposição ao sistema político vigente desde então, e na luta pela volta do pluripartidarismo, que de uma forma ou de outra é a uma marca significativa em  toda sociedade que se diz democrática. Temos que reconhecer também que este foi o único partido que aprendeu a fazer oposição neste país, e que, por isso, estando agora no poder, não há nenhum outro que lhe faça frente, pois que não há partido forte o suficiente para lhe fazer oposição.

Mas enfim temos que seguir em frente e acreditar que para além dos partidos ficou a nossa esperança e a nossa vontade de transformar este país numa verdadeira democracia, o que em parte se cumpriu, mas que hoje sabemos, a luta só começou.

E para aqueles que nos acusavam ou ainda nos acusam de estar "em cima do muro", por não apoiarmos nem a esquerda, nem a direita, eu quero avisar que o muro já caiu há muito tempo e ainda que haja algum, hoje posso afirmar que o que realmente queremos é estar  bem acima deles.